Sissy V. Fontes

Sissy V. Fontes

É Professora Afiliada do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Doutora em Ciências pela Unifesp; Mestre em Neurociências pela Unifesp; Fisioterapeuta; Professora de Educação Física; Coordenadora do Ambulatório de Cuidados Integrativos do Setor de Investigação em Doenças Neuromusculares da Disciplina de Neurologia Clínica do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Unifesp

Docente Responsável pela Disciplina Eletiva: Medicina Integrativa, Práticas Integrativas e Complementares e Cuidados Integrativos em Neurologia dos Cursos de Graduação da Escola Paulista de Medicina, Escola Paulista de Enfermagem e do Departamento de Fonoaudiologia da Unifesp; Coordenadora do Curso de Especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos da Unifesp; Coordenadora do Programa de Extensão (Social e de Pesquisa) em Cuidados Integrativos da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Unifesp; Coordenadora, Orientadora e Pesquisadora da Linha de Pesquisa em Cuidados Integrativos da Unifesp, com ênfase na área de Neurociências e sobre os temas: Práticas Integrativas e Complementares, Medicina Integrativa, Transdisciplinaridade, Reabilitação Neurológica, Fisioterapia Neurofuncional, Propedêutica Neurológica, Semiologia Cinesiológica Funcional, Doenças Cerebrovasculares, Doenças Neuromusculares, Promoção de Saúde, Saúde e Espiritualidade; Membro Fundadora do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas e Complementares (NUMEPI) da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Unifesp. Foi docente, por mais de 5 anos da Disciplina de Fisioterapia Neurofuncional da Universidade Bandeirante de São Paulo, Universidade Metodista de São Paulo e Universidade Santa Cecília. É organizadora e autora de vários capítulos do primeiro livro texto nacional sobre Fisioterapia Neurofuncional (Fontes, SV, Fukujima MM, Cardeal JO. Fisioterapia Neurofuncional: fundamentos para a prática, Atheneu: São Paulo, 2007; autora de vários capítulos de livro texto nas áreas de Reabilitação e Fisioterapia, e autora de vários artigos científicos em revistas indexadas sobre Reabilitação Neurológica, Fisioterapia Neurofuncional e Cuidados Integrativos.


Para mais informações acessar Curriculum Lattes:

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4716682H8


Tema da Palestra:

Cuidados Integrativos: interface entre saúde transdimensional e educação transdisciplinar

As Práticas Integrativas e Complementares contemplam sistemas que possuem teorias próprias sobre o processo saúde/doença, diagnóstico e terapêutica, e recursos terapêuticos diferenciados, os quais são também denominados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como sistemas e recursos de medicina tradicional e ou complementar/alternativa. Tais sistemas e recursos envolvem abordagens que buscam estimular os “mecanismos naturais” de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico, na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade, enfatizando a promoção global do cuidado humano, especialmente do auto-cuidado. Em nosso país, é por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) que a população tem acesso, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) a essas práticas que interferem significativamente na qualidade de vida da população.
Em relação aos objetivos da PNPIC para o SUS, foram enfatizados: (i) a prevenção de agravos e a promoção e recuperação da saúde, com ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde; (ii) a contribuição ao aumento da resolubilidade e a ampliação do acesso, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso; (iii) a promoção e racionalização das ações de saúde; (iv) o estímulo das ações de controle/participação social, promovendo o envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores da saúde. No que diz respeito às diretrizes da PNPIC, foram nomeadas 11 principais, com o fim de definir estratégias de inserção, gestão e avaliação das práticas complementares no SUS, quais sejam: 1. Estruturação e fortalecimento da atenção; 2. desenvolvimento de qualificação para profissionais; 3. divulgação e informação de evidências para profissionais, gestores e usuários; 4. estímulo às ações intersetoriais; 5. Fortalecimento da participação social; 6. acesso a medicamentos; 7. acesso a insumos; 8. incentivo à pesquisa sobre eficiência, eficácia, efetividade e segurança; 9. desenvolvimento de acompanhamento e avaliação; 10. cooperação nacional e internacional; 11. Monitoramento da qualidade.
Sendo assim, podemos inferir que a inclusão da PNPIC na atenção a saúde, à população brasileira é obrigatória, desde quando o termo qualidade de vida passou a ser empregado, com base na reformulação do conceito de saúde, que incluiu aspectos além dos relacionados à ausência de doenças, deficiências, incapacidades e desvantagens orgânicas, os relacionados aos aspectos espirituais, emocionais, sociais, vocacionais, e econômicos.
Em adição, devido o conceito de qualidade de vida ser definido pela World Health Organization Quality of life Assessment (WHOQOL) Group como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive e, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”, portanto, complexo e multidimensional, a inclusão de aspectos educacionais diferenciados e integrados, da população, em relação à saúde é de suma relevância, quando o foco é qualidade de vida e bem estar.
Para tanto, propôs-se o termo “Cuidados Integrativos”, pela nova especialidade das áreas da saúde, educação e áreas correlatas, que consiste na interface entre a saúde transdimensional e a educação transdisciplinar, novos paradigmas das ciências contemporâneas, cujo princípio de “cura” (healing), consiste em afirmar que a “saúde educa e a educação cura”.
Essa especialidade foi implantada no Brasil, mais precisamente no Curso de Especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo, em 2009, cujo aprendizado, que é terapêutico corrobora aos ensinamentos milenares que, cuidar faz parte da vida do ser humano, a despeito da sua condição de saúde ou doença, que toda vida precisa de cuidado e precisa de cuidado durante toda a vida. Este está na origem da existência do ser humano, é um a priori ontológico, se encontra antes. É um fenômeno que é à base da existência humana. Encontra-se na “raiz primeira” do ser humano, antes que ele faça qualquer coisa. Está presente em tudo. É um modo de ser essencial sempre presente e irredutível à realidade anterior. O ser humano se não receber cuidado desde o nascimento até a morte, definha-se, perde sentido e morre. A origem da palavra: cuidar é proveniente do latim cogitare-cogitatus, e significa zelar pelo bem estar ou pela saúde de, ocupar-se de, tratar de, tratar da própria saúde ou zelar pelo próprio bem-estar. Cuidado, em sua forma mais antiga, era usada em um contexto de relações de amor e amizade, e expressava a atitude de cuidado, de preocupação, de inquietação pela pessoa amada ou por um animal ou objeto de estimação.
Segundo clássicos dicionários de filologia, cuidado deriva do latim coera, ou seja, cura (palavra sinônima erudita de cuidado). Cura (healing) ou cuidado significa, portanto desvelo, diligência, solicitude, zelo, bom trato, atenção, precaução, vigilância, conta, incumbência, responsabilidade, inquietação de espírito, preocupação.
Por sua própria natureza, cuidado inclui duas significações básicas: a atitude de desvelo, de solicitude e de atenção para com o outro; e de preocupação, de inquietação, porque a pessoa que tem cuidado se sente envolvida e afetivamente ligada ao outro. Por isso, a observação do poeta Horácio (65-8 a.C) faz sentido: “o cuidado é o permanente companheiro do ser humano”, por isso, pode-se dizer que o cuidado é mais do que um ato singular ou uma virtude ao lado das outras é um modo de “ser no mundo” que funda as relações que se estabelecem com todas as coisas. Considera-se “Cuidados Integrativos” o cuidar de toda a natureza em geral, onde está incluso, faz parte a natureza humana em toda a sua multidimensionalidade, onde a totalidade é manifesta no ato de cuidar com amor.