Alberto Peribanez

Alberto-Peribanez

Médico e professor licenciado de Fisiologia do curso de Medicina da UERJ e da Universidade Estácio de Sá. Formado em Medicina em 1985 pela Universidade de Brasília, com residência e título de Especialista em Cirurgia Geral e Mestrado e Doutorado em Microcirculação no Instituto de Pesquisas Cirúrgicas em Munique – Alemanha.

Formação em Nutracêutica pelo Hospital da Lagoa – RJ (Prof.Dr. Célio Mendes) e pelo Tree of Life Rejuvenation Center – Arizona EUA – Alimentação Viva (Dr.med. (H) Sir Gabriel Cousens). Coordenador do projeto científico Oficina de Alimentos Funcionais “Oficina da Semente” e do curso de extensão Bases Fisiológicas da Terapêutica Natural e Alimentação Viva Coordenou Aplicação dos Alimentos Vivos no Programa de Atenção Básica de Saúde da Família de Campos do Jordão / Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP / Escola Paulista de Medicina.

Responsável pelo programa Alimentação e Saúde – Prefeitura de Osasco - SP. Autor do livro “Lugar de Médico é na Cozinha” (Ed. Alaude,12a edição, 2010). Coordenador da Clínica Docente- Assistencial em Terapias Naturais Avançadas (Capão Bonito - SP).


Tema da Palestra:

Da terra ao homem: as bases fisiológicas do Programa de Saúde da Terra

AAlberto P. Gonzalez
Programa de Saúde da Família (PSF) e Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) Secretarias Municipais de Saúde de Capão Bonito e Osasco - SP
O estratégia em saúde denominada Programa de Saúde da Terra reconhece a natureza como provedora original e autentica de alimento humano, plena de informação vibratória (elétrons e fótons) e vida (nutracêuticos e probióticos) 1. As bases fundiárias, comerciais e sociais do programa estimulam a produção local mantendo distância ideal de 30 e máxima de 70 km entre produtor e consumidor 2. A forma de escoamento e comercialização respeita a localidade e as características de seus frutos, criando economias locais que seguem o padrão da pequena propriedade rural, apoiando a saúde do trabalhador rural e de sua família, assim como a saúde dos produtos da terra. Objetiva a criação de uma cultura de vida, que ofereça às famílias de produtores uma alternativa ao modelo de escassez, devastador e químico dos agrotóxicos, fertilizantes e agronegócio 3. Reconhece a terra como provedor original do alimento, descartando formas pseudo-futuristas supostamente produtivas, fora dos ambientes solar, hídrico, lúdico e biológico que caracterizam a natureza 4. O produto da terra, local e autêntico, contribui para a saúde de famílias de qualquer nível de renda. Paralelamente o Programa da Saúde da Terra cria capacitações e habilidades novas: i) fornece instruções em técnicas permaculturais, agroflorestais e de agricultura biodinâmica a famílias de pequenos produtores rurais e ii) interage com o PSF que, através de programas de nosso grupo preconiza oficinas culinárias adotadas em Capão Bonito e Osasco – SP, e cria demanda por alimentos vibratórios e vivos.
A terra, assim como a água devem ser consideradas elementos vivos, contrário a orientações errôneas que tem origem na educação primária desatualizada ou propositalmente distorcida que impõe que sejam denominadas partes do “reino mineral”. A terra contém, além de água, minerais e elementos da atmosfera gasosa, protagonistas que caracterizam a vida em todo o seu potencial: os organismos vivos subterrâneos, uma complexa microbiota e biologia molecular completas. A terra dá origem a plantas, flores, frutos, raízes e sementes nutricionais, cujas características biológicas serão a síntese entre os fatores tróficos do solo e a energia vibratória solar. A fertilização, polinização e mesmo a defesa contra ataques de pragas pode utilizar-se da parceria de insetos alados, cavadores ou rastejantes. Técnicas inteligentes em agricultura utilizam-se de vespinhas para o combate de pragas, como a lagarta do cartucho do milho (http://www.bugbrasil.com.br). O desenvolvimento desta técnica pode tornar o milho transgênico inaplicável. Uma nova agricultura biológica está a caminho.
A fisiologia do solo, quando divisada pelo aspecto do húmus, em muito se assemelha à fisiologia humana. Os mecanismos homeostáticos, coloido-plasmáticos, microbiológicos e imunitários do húmus são equivalentes aos de sistemas vegetais e mesmo animais: i) o processo que transforma matéria orgânica em húmus alimenta a população microbiana do solo assim como a de insetos (ácaros) e vermiculares (minhocas), contribuindo para a manutenção de níveis altos e saudáveis de vida homeostática do solo 5 , ii) o húmus acumulado em cachos em simbiose com as raízes das plantas joga um papel de controle hormonal da fisiologia vegetal 6 , iii) o húmus é uma substancia coloidal que aumenta a capacidade do solo de trocar cátions, justificando a sua habilidade de armazenar nutrientes por quelação 7, iv) os nutrientes essenciais são retidos pelo húmus e tornam-se acessíveis às plantas, assim atuando na prevenção da lixiviação do solo por chuvas ou irrigação 8, v) 80 a 90 % da estrutura do húmus é água estruturada, equivalente à água do plasma ou da célula humana e tem papel chave na manutenção da água no solo em períodos do dia ou sazonais de rarefação de água 9, vi) a estrutura bioquímica do húmus permite que o mesmo modere ou tampone as condições de excesso ácido ou alcalino do solo 10, vii) durante o processo de humificação, os micróbios homeostáticos secretam mucilagens que contribuem para a típica aparência granulosa do mesmo. Esta característica granulosa (não compacta) mantém a aeração do solo, retendo carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e oligoelementos do ar atmosférico 10, viii) pela mesma razão pela qual o húmus retém nutrientes, ocorre a quelação de metais pesados e venenos agrícolas, ligando-os a moléculas orgânicas complexas do húmus e prevenindo sua entrada ao ecossistema vegetal 10 e ix) pela sua cor escura, o húmus pode captar e armazenar energia solar, auxiliando na manutenção da temperatura da área de plantio, principalmente em períodos mais frios do ano 11.
As técnicas mecânicas e bélicas de manuseio do solo plantável destroem por completo este microbioma, mas principalmente, desarticulam sua característica coloidal, capaz de reter água em períodos de estio 9. A demanda por água na agricultura já é insustentável, e o modelo desidratador de solos adotado demanda por quantidades injustificáveis de água para uso agrícola, espoliando a água do subsolo, levando à escassez dos recursos hídricos 12. De forma semelhante, a ausência de nutrientes no solo demanda por enormes quantidades de fertilizantes químicos. O desequilíbrio microbiológico e homeostático justifica o restante da catástrofe ambiental que representa o modelo agrícola adotado com o nome de agronegócio, suas sementes transgênicas e venenos agrícolas. O solo agrícola de todo o planeta está se tornando um aglomerado químico artificial que só pode dar origem a alimentos sem valor biológico 13.
As doenças decorrentes de venenos e plantas geneticamente modificadas nas plantações, de pequenos até grandes produtores, estão amplamente documentadas por vasta literatura médica, mas informações a respeito continuam longe do alcance da opinião pública e da academia médica por pressão dos lobbies das corporações que as disseminam no planeta 14. Não há justificativa para o uso de quaisquer venenos na agricultura familiar. Técnicas de cultivos favoráveis à saúde e à natureza já são existentes, mas indisponíveis aos agricultores 15, 16.
Sendo o principal meio de crescimento e desenvolvimento das plantas, a irradiação do sol introduz os fótons no sistema solo-planta, permitindo a acumulação do mesmo na forma de enzimas, proteínas, fitoquímicos, alcalóides e complexos vitamínicos ricos em minerais essenciais 17. Luz e saúde são inseparáveis. A obsessão do homem contemporâneo de afastar-se da natureza e de suas fontes naturais de luz, com uso de iluminação artificial fluorescente, hábitos sedentários, óculos escuros, protetores solares, alimentos processados de origem animal ou vegetal e excesso de alimentação cozida leva a população a um estado de má-iluminação, semelhante à má nutrição. A má iluminação nos priva de uma gama de nutrientes vitais e estímulos rítmicos essenciais ao ciclo fisiológico da vida humana 2.
O metabolismo celular pode ser comparado a uma bateria. O polo positivo desta bateria é representado, em nossa biologia, pelo oxigênio. O polo negativo é suprido pela energia foto voltaica coletada do sol pelos alimentos vegetais frescos e crus. A alimentação rica em elétrons despeja sua energia elétrica no sistema citocromo-oxidase. Este sistema atua como uma “esteira bioquímica” descendente que transforma a energia elétrica em ATP, que por sua vez é a molécula básica de energia celular de todos os sistemas biológicos. Dentro da célula o ATP libera a energia como o combustível para todos os processos que ocorrem a nível molecular em nossos sistemas biológicos. Os elétrons são acumulados pelo sistema citocromo-oxidase pelo oxigênio posicionado no polo positivo da “esteira” da bateria intracelular. Quanto mais oxigênio, maior a “pressão” de retirada de elétrons 18.
Exercícios respiratórios, alimentos ricos em oxigênio e vida em ambiente oxigenado aumentam os níveis intracelulares de oxigênio. A vida e saúde da célula e portanto do ser humano depende do sistema citocromo-oxidase e este sistema depende da energia de elétrons para sua função normal. Nós recebemos elétrons da dieta pelos alimentos de origem vegetal ou de formas diretas de absorção. Ao processar e refinar os alimentos de origem vegetal, destruimos a estrutura de ressonância harmônica básica capaz de fornecer a energia dos elétrons. Os alimentos capazes de fornecer elétrons são as frutas, os vegetais, as castanhas, as sementes germinadas e os brotos 2.
Organizar uma estrutura de produção e distribuição de alimentos livres de químicos e venenos, abastecidos com o máximo de energia elétrica, fitoquímicos nutracêuticos e originada de uma relação solo-planta saudável é a estratégia mais lúcida e sustentável de manutenção da saúde da população humana, em qualquer nível de renda, em qualquer município. O modelo atual de alimentos altamente processados, principalmente voltado à classe menos favorecida é perverso, pois leva ao adoecimento a maioria dos cidadãos que não dispõem de recursos, estimulando gastos com medicamentos pela população e pelo governo e levando ao colapso os sistemas de atendimento públicos e mesmo privados.
De forma paralela, o modelo de agronegócios, com exploração desenfreada e lixiviação da vitalidade do solo, substituição do solo nativo por aglomerado físico-químico artificial e venenos agrícolas estimula a monocultura, a marginalização do pequeno produtor, desequilíbrio ecológico e climático e os crimes contra o bom senso cometidos contra os biomas em nome de uma suposta produtividade da balança comercial.
Retomar o modelo tradicional de agricultura é tarefa que pode ser obtida a partir de uma reorganização da pequena propriedade rural e das estratégias de distribuição de alimentos. Transferir estas informações da terra ao homem é tarefa de um grupo criativo e independente da atual forma de administração, que possa pensar na Medicina como parte de uma saúde única do planeta e da humanidade 1.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1) Beermann M., Olivati F. e Gonzalez A.P., 2011. Um novo modelo de saúde estruturado na natureza: bases docentes e assistenciais. Anais do II Simpósio Internacional de Saúde Quântica e Qualidade de Vida
2) Cousens G., 2000 Conscious Eating Berkeley, California: North Atlantic Books

3) Bull D. e Hathaway D., 1986. Pragas e Venenos: - Agrotóxicos no Brasil e no Terceiro Mundo (A Growing Problem: Pesticides & the Third World Poor: 1982) - 1ª Ed. - Ed. Vozes/OXFAM/FASE - Petrópolis – Brasil

4) Heiney A., Farming for the Future 2004, NASA.gov

5) Vreeken-Buijs, M.J., Hassink, J., Brussaard, L., 1998. Relationships of soil microarthropod biomass with organic matter and pore size distribution in soils under different land use. Soil Biology and Biochemistry 30:97–106

6) Elo, S., Maunuksela, L., Salkinoja-Salonen, M., Smolander, A., Haahtela, K., 2006. Humus bacteria of Norway spruce stands: plant growth promoting properties and birch, red fescue and alder colonizing capacity. FEMS Microbiology Ecology 31:143–152
7) Szalay, A., 1964. Cation exchange properties of humic acids and their importance in the geochemical enrichment of UO2++ and other cations. Geochimica et Cosmochimica Acta 28:1605–1614.
8) Olness, A., Archer, D., 2005. Effect of organic carbon on available water in soil. Soil Science 170:90–101
9) Kikuchi, R., 2004. Deacidification effect of the litter layer on forest soil during snowmelt runoff: laboratory experiment and its basic formularization for simulation modeling. Chemosphere 54:1163–1169
10) Caesar-Tonthat, T.C., 2002. Soil binding properties of mucilage produced by a basidiomycete fungus in a model system. Mycological Research 106:930–937
11) Lehmann, J., Kern, D.C., Glaser, B., Woods, W.I., 2004. Amazonian Dark Earths: origin, properties, management. Springer, pg. 523
12) Rogers P., 1992. Comprehensive Water Resources Management. A Concept Paper. Edição 879
13) Hansen M., http://www.sourcewatch.org/index.php?title=Michael_Hansen
14) Dr. Michael Hansen, 2005 Allergy Risks from Genetically Engineered Foods GM Watch
15) Primavesi A.M. 1980. O Manejo Ecológico do Solo Ed. Nobel
16) Fornari E., 1989 Novo Manual de Agricultura Alternativa. Ed. Sol Nascente
17) Popp, F.A. 1984: Biologie des Lichts. Verlag Paul Parey, Berlin-Hamburg
18) Popp, F. A.: Biophotons and Their Regulatory Role in Cells. Frontier Perspectives (The Center for Frontier Sciences at Temple University, Philadelphia), 7 (1998), 13-22