Adalberto Barreto

PhD Professor da Universidade da UFC. Doutor em Psiquiatria pela Universidade René Descartes - Paris. Doutor em Antropologia pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris e Universidade de Lyon 2 - França Licenciado Escola de Altos em Filosofia e Teologia.

PhD Professor da Universidade da UFC. Doutor em Psiquiatria pela Universidade René Descartes - Paris. Doutor em Antropologia pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris e Universidade de Lyon 2 - França Licenciado Escola de Altos em Filosofia e Teologia pela Universidade de São Thomas de Aquino - Roma e Universidade Católica de Lyon - França. Criador da metodologia da Terapia Comunitária Integrativa.
Adalberto Barreto elaborou uma metodologia, a Terapia Comunitária, na qual a própria comunidade trata as vítimas de transtornos psíquicos e emocionais. Com uma abordagem com foco no sofrimento, e não na doença, Adalberto provou que a maioria das vítimas de transtornos psíquicos e emocionais em favelas pode ser tratada pela própria comunidade, sem necessidade de tratamento médico hospitalar.

A Terapia Comunitária alia a sabedoria popular ao conhecimento científico para criar espaços de tratamento nos quais o principal remédio é a palavra. Um dos principais elementos do método são sessões em que grupos de 30 a 40 pessoas compartilham experiências e problemas e aprendem a lidar com suas dificuldades. O projeto inclui iniciativas como as Casas de Cura e Relaxamento, para cuidados individualizados complementados por massagens e tratamentos populares, como banhos de ervas.

Adalberto nasceu no interior do Nordeste e desde cedo conviveu com as crenças e as tradições populares. O clima de religiosidade que o cercava na infância o levou ao seminário, início da formação em que uniu medicina, teologia e antropologia. De volta de especializações no exterior, decidiu desenvolver um trabalho de integração dos curandeiros com o circuito médico oficial, em uma ação que culminou com a elaboração da Terapia Comunitária.

Adalberto já promoveu a formação de 25.500 terapeutas comunitários e seu método já é aplicado em diversas regiões do Brasil, disseminado por 36 pólos em organização sociais, universidades e organismos públicos que integram a Associação Brasileira de Terapia Comunitária. O método já é também aplicado em dois municípios da França e em breve também será adotado no México e em dois países africanos. A Terapia Comunitária teve a sua eficácia reconhecida pelo Ministério da Saúde, que firmou convenio para a formação de 1.100 profissionais do setor de saúde pública.


Tema da Palestra:

QUANDO A BOCA CALA OS ÓRGÃOS FALAM E QUANDO A BOCA FALA OS ÓRGÃOS SARAM: pistas para o diálogo corpo e mente.

A concepção sistêmica do universo, como um sistema vivo, possibilita-nos compreender os sintomas como sendo formas físicas, materiais, de expressão dos conflitos ou desequilíbrios e que através de uma linguagem simbólica nos informa onde se situam nossos problemas. Quando fazemos a devida decodificação dessa mensagem inconsciente, percebemos com clareza que o sintoma age como uma mensagem simbólica que se somatizou, no corpo físico.

Esta concepção eco-sistêmica que vê a doença em estreita relação entre corpo-espirito-natureza, já se encontrava no pensamento grego, tão bem desenvolvida e praticada no templo de Asclépio em Epidaurus.Portanto o aparecimento do sintoma ( doença) precisaria ser visto numa dupla perspectiva a biológica onde se busca explicá-lo analisando os processos mecânicos do organismo e a simbólica onde vai se procurar decodificar a comunicação inconsciente veiculada por ele. É evidente que para interpretar o sintoma, temos que conhecer os códigos corporais, construidos ao longo do tempo. Se do ponto de vista biológico o sintoma tem uma ou várias causas, do ponto de vista simbólico ele tem uma função, ele tem valor de comunicação. Da mesma maneira que os sonhos são a expressão codificada da linguagem do nosso inconsciente, os sintomas no corpo físico são linguagens inconscientes do nosso ser e agir no mundo.

Decodificar essa mensagem possibilita ao homem resignificar, reorientar seu comportamento sua vida. Negar este aspecto este sinal de alerta é privar o ser humano de transformar a doença numa oportunidade para rever seus valores, repensar seus relacionamentos e sua postura no mundo.Para poder expressar um sentimento, uma emoção, uma idéia um sonho nós precisamos de palavras, gestos e desenhos. Aquilo que vivemos no mais profundo de nós mesmos para se exteriorizar utilizamos o nosso corpo físico como tela de projeção. Neste sentido, corpo e mente estão interligados. A mente inconsciente precisa do corpo físico como alguém precisa de um espelho para tomar consciencia de sua fisionomia e materializar sua identidade. Se existem distorções entre o corpo e o espirito, aparecem então os sinais de alerta, as mensagens, sugerindo uma parada um repensar.